Após escapar de um exército de macacos enfurecidos, um pequeno grupo de humanos encontra os destroços da sua civilização: apenas a cabeça da Estátua da Liberdade.
Não foi a única vez que Hollywood destruiu um grande monumento. O cinema já derrubou a Ponte do Brooklyn, assim como o Big Ben, pelo menos cinco vezes; o Empire State Building desmoronou em seis ocasiões, e a Torre Eiffel foi retorcida em quatro filmes. Mas a campeã incontestável no quesito destruição é a Estátua da Liberdade, transformada em pedaços por, no mínimo, nove diretores.
O número de vezes que um monumento é cinematograficamente destruído seria proporcional à sua força como símbolo? Se sim, a Liberdade representa a sociedade desejada por um grande número de pessoas e, por isso, derrubá-la leva tantas plateias às lágrimas.
Que sociedade seria essa? Uma pautada pelos valores predominantes nos Estados Unidos: eleições livres, igualdade perante a lei, liberdade de imprensa e de manifestação do pensamento, livre mercado e propriedade privada. Claramente em busca do American way of life.
Não me oponho; apenas temo a uniformização do pensamento. Gosto, mesmo, é de debater com gente muito diferente de mim. Se tiver crescido em outra cultura e enxergar ângulos que, para mim, estão ocultos, melhor. Assim, gostaria que a Pirâmide de Quéops, a Acrópole, o Big Ben e a Torre Eiffel, só para citar alguns exemplos, tivessem sido tão cinematograficamente destruídos quanto a Estátua da Liberdade.
Do nosso Cristo Redentor nem falo, pois o coitado caiu apenas uma vez.
Marla A. Lansarin, revisada em julho de 2026.
