A morte da elegância

Substantivo feminino. Graça, distinção nas formas, nas maneiras, nos trajes… Arte de escolher as palavras: falar, escrever com elegância. Modo elegante de se portar e agir; garbo.

A elegância desapareceu, caiu em desuso, e mesmo o seu significado foi esquecido. Um conceito muitas vezes associado a uma maneira de vestir é, na verdade, vinculado a uma conduta.

Uma pessoa elegante é capaz de expressar pensamentos sem agredir seus ouvintes. Usa a persuasão, não intimida seu interlocutor e ajusta o vocabulário à circunstância. Escolhe falar sobre temas adequados ao local em que se encontra e assim o faz por respeito, e não por medo de represálias.

Também sabe diferenciar as ações que podem ser realizadas em público daquelas que deveriam ser reservadas à vida privada, não vendo motivos para presenciar a depilação de uma cantora, qualquer que seja a parte do corpo a ser tratada. Não é uma questão de moralidade, mas de senso estético.

Pelo mesmo motivo, não mastiga com a boca aberta, não fala quando deveria estar engolindo, não coloca os cotovelos na mesa, espera pacientemente sua vez para se servir e dá preferência aos idosos. Uma pessoa elegante não fura filas e não abre seu caminho a cotoveladas.

Acima de tudo, sabe escutar: procura colocar-se no lugar do outro e entender seus motivos. Se divergir, expõe suas ideias com argumentos, atendo-se ao mérito da questão. Se percebe que o consenso não é possível, concorda em discordar. Se a convivência se mostra impossível, despede-se polidamente e nunca mais retorna.

E o que ela veste? Jeans rasgado, minissaia, top, terno, tailleur, adquiridos na Avenida Paulista ou na 25 de Março, não importa. Mesmo completamente nua, uma pessoa elegante sabe como agir.

Mais fácil mencionar um contraexemplo: há uma cantora que se deixa filmar (e divulga o vídeo) na privada, depilando-se, falando palavrões e simulando, seminua, o ato sexual. Para compensar, ameaça não tirar selfies com jovens que não detenham o título de eleitor. O seu sucesso, retumbante, atesta a morte da elegância.

Desejaria ressuscitá-la.

Marla A. Lansarin, abril de 2022.

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