Sobre desejos

A primeira imagem que aparece quando se fala em ‘último desejo’ é aquela dos filmes, associada com a última refeição do condenado. Completamente privada de liberdade, resta à pobre criatura apenas escolher algo para comer. No entanto, qual seria o pedido de alguém completamente livre?

Tentando responder a essa pergunta, iniciei separando os desejos em duas categorias: a dos que podem ser alcançados e a dos impossíveis. Exemplos do primeiro grupo: conhecer um lugar, rever uma pessoa ou degustar algo especial. Já no segundo grupo se encontram os altruístas e aqueles da autossatisfação. Os altruístas desejariam que não houvesse mais fome sobre a Terra, ou o fim de todos os tipos de violência. Mas qual seria o desejo impossível dos mais centrados em si mesmos?

Infinitas são as respostas. e, não podendo mais me esconder, terei que revelar qual seria a minha escolha…

I want one moment in time
When I’m more than I thought I could be
When all of my dreams
Are a heart beat away
And the answers are all up to me

Give me one moment in time
When I’m racing with destiny
Then in that one moment of time
I will feel, I will feel eternity*

Eu desejaria um momento no qual eu fosse muito melhor do que eu sou e, naquele instante, soubesse as respostas para todas as perguntas: as grandes e as pequenas. Também gostaria de não sentir culpa pelo que não sou capaz de fazer e, acima de tudo, gostaria de sentir que a eternidade existe.

Marla A. Lansarin, abril de 2022.

*música de John Bettis e Albert Hammond (1986), interpretada magistralmente em 2016 por Dana Winner

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