Todo o planejamento foi realizado levando em consideração a data provável da floração das cerejeiras, a época da sakura, o símbolo da beleza dos momentos efêmeros para os japoneses. Provável, pois a natureza não aceita deadlines. Foram voos, passeios e hotéis contratados e pagos prevendo nossa chegada a Tóquio no dia quatro de abril.
Uma semana antes do voo, vi na internet uma foto de um parque do Japão coberto pelas flores rosadas:
— Meu Deus! Perdemos! Quando chegarmos lá, as flores já terão caído… Tanto planejamento (e despesas), nãoooo!
— Calma, não é assim: a florada dura pouco mais de duas semanas. Rezemos.
Para piorar a situação, no dia da viagem, um temporal atingiu o norte do Japão, com ventos fortíssimos, que transformaram a viagem em uma verdadeira tortura e, no meu coração, teriam soprado para longe o meu sonho.
Pousamos em Tóquio no início da noite, sob chuva, com tempo apenas para o deslocamento até o hotel, jantar e cama. O suspense iria durar até a manhã seguinte.
E o dia revelou-se lindo! Café e caminhada até o parque Shinjuku Gyoen, cujo ingresso havia sido adquirido noventa dias antes. O parque ocupa uma área entre os bairros de Shinjuku e Shibuya. É um dos maiores da cidade, mas, mesmo assim, deu um certo trabalho localizá-lo. A entrada foi tranquila, pois, com o ingresso na mão, escapamos da fila.
Atravessamos o portão, caminhamos alguns metros e nos deparamos com uma grande área aberta, ladeada por cerejeiras, que estavam…
cobertas de flores! Florzinhas rosa-escuro, brancas e de todos os tons entre essas duas cores, contrastando com o céu azul e o gramado verde, lavado pela chuva. Árvores muito grandes, com galhos que alcançavam o chão, e também pequenas, em forma de buquê. Abaixo delas, um tapete rosado e famílias sentadas no chão, ao redor de uma toalha, fazendo a primeira refeição do dia. Pouco adiante, um lago no qual cerejeiras, encurvadas pelo vento, mergulhavam suas flores.
No entorno do lago, há bancos e um jardim com folhagens em diferentes tons de verde. Também existe um arbusto, podado com todo esmero, recoberto por flores de um vermelho vivo, que conferem um toque vibrante à paisagem.
Escolhi um banco e fiquei ali, tentando absorver o momento, sentindo uma enorme gratidão, do tamanho do mundo.
Marla A. Lansarin, junho de 2026.



