Conhecer a Itália é mergulhar nas belas-artes. Lá se descobre que existe uma escala que começa na habilidade, passa por talento e chega ao gênio. Michelangelo Buonarroti. Quem um dia entrou na Capela Sistina chega a amar o trabalho desse homem que viveu para enfeitar o seu país.
O pintor iniciou como aprendiz em Florença, onde foi reconhecido e acolhido pela família Medici. Michelangelo ajudou a transformar uma cidade em uma obra de arte. Firenze. É quase uma afronta usar seu nome em qualquer outra língua que não a da sua pátria.
É uma cidade para ser degustada caminhando, e foi o que fizemos. Passamos muitas horas apenas admirando. As ruas recendem a história e não se encontra o que se possa chamar de construção comum. Como se os palazzi já não fossem suficientes, há o rio Arno com a sua Ponte Vecchio.
As pessoas que por lá circulam são um espetáculo à parte. Escolhemos uma mesa à beira da calçada para tomar um café e ficamos vendo o mundo passar: indianos, chineses, franceses, sul-africanos e muitos outros que não identificamos, alguns com suas vestes típicas.
Quase no final da tarde atravessamos a Ponte alle Grazie e subimos até uma praça. Quando viramos para o oeste, nos deparamos com um rio prateado sob um céu cinza azulado, riscado de vermelho. De quando em quando, suas pontes formavam listras foscas que cortavam o brilho da água. Lá do alto, podiam-se ver os casarios e as ruelas medievais levemente enegrecidos pelo tempo, as torres das igrejas, o Duomo e algumas cúpulas acobreadas. Ao fundo, as colinas da Toscana.
Depois de algumas horas admirando sua arquitetura e as esculturas que adornam Firenze, tem-se a impressão de que seus cidadãos nunca conseguirão agradecer adequadamente ao artista. Ledo engano. Sabe como se chama a praça que descobrimos — para mim, a mais linda do mundo? Piazzale Michelangelo. Quem mais mereceria tamanha honra?
Marla A. Lansarin, Junho de 2021

