Exótica

No início, foi um pouco assustador. Pessoas estranhas me seguindo discretamente, mirando com o canto do olho, sentando o mais perto possível quando eu parava. E as selfies? Feitas exatamente quando eu estava passando…

Polícia? Com tudo que se ouve sobre a China, vai saber! Mas com aquele jeitão de mãe de família numerosa? Mãos de agricultor? Seria tentativa de golpe? Não fazia sentido.

Como o perigo não era iminente, continuei tentando vencer a escadaria do Palácio de Verão, em busca da prometida vista do lago e da ponte de arcos. Cheguei sem fôlego ao segundo mirante. Sorte! Um banco vazio! E de frente para a paisagem!

Sentou-se ao meu lado um senhor que ficou a contemplar o horizonte. Alguns minutos depois:

— Boa tarde, honrada senhora, poderia tirar uma foto? Estendi a mão para pegar o seu telefone e atender ao pedido, mas…

— No, no, no!

Fez-me compreender que desejava uma foto comigo.

Eu? Como assim? Mas o sujeito buscou a esposa e a filha e vieram tão sorridentes, com aquela felicidade das crianças, que consenti. Posei com uma família que nunca vi, rezando para que sejam gente boa.

Pronta para ir embora, olho para trás: lá estão mais duas pessoas com os celulares na mão, querendo fotos comigo. Céus! O quê?

Agora entendi: na China, sou celebridade!

Marla A. Lansarin, março de 2026

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