Paris em março

Era para ser apenas uma escala.

Uma parada para descansar após doze horas de voo, antes de seguirmos para Pequim. Assim, nada planejado: um dia livre em Paris.

— Vamos ver como ficou a Notre Dame depois da restauração?

Pegamos o metrô, linha 1, a preferida dos turistas. Era só sair na estação do Hôtel de Ville e, em poucos metros, estávamos na praça, olhando para a prefeitura.

Começamos a perceber aquele friozinho agradável, aquele com sol gostoso na pele, sabe? Poucos turistas, um pequeno luxo concedido pelo final do inverno. Crianças fazendo bolhas de sabão e correndo atrás das pombas. Um carrossel à moda antiga, para dar um toque de conto de fadas e… fomos cobertos pelo feitiço de Paris.

Passamos a caminhar ao longo do Sena, no nosso ritmo, sem empurrões. Chegamos à ponte Saint-Michel com a intenção de atravessá-la, mas ficamos pelo meio do caminho. De lá, é possível ver uma grande parte do Sena, cercada por edifícios que são senhores daquelas águas há mais de um século. À esquerda de quem vai para a ilha, vê-se o Palais de Justice e a Conciergerie, que foi parte do antigo Palácio Real e virou a prisão de Maria Antonieta. Em minutos, o sol transformou as pontes em reluzentes braceletes. Turistas sorridentes acenaram de um barco que cruzou a ponte. Os músicos de rua, percebendo o momento, declararam seu amor pela cidade, tocando “La Vie en Rose”.

Dançamos abraçados, no meio da ponte, agradecendo à vida por estarmos juntos e em Paris.

Marla A. Lansarin, Março de 2026

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