Bangkok — O mapa do sufoco

Para conhecer a Tailândia sem enfrentar multidões, é necessário suportar o calor; muito calor! As pessoas compram sprays refrescantes para o corpo, ventiladores portáteis e… pode esquecer: nada adianta, já que a umidade é bem alta. Então, vamos ao mapa do sufoco.

7h30: café da manhã no hotel e 27°C.

— Tranquilo, viemos do Brasil e isso não é calor. Bora conhecer o Grand Palace.

9h: chegada ao palácio e 29°C.

Não existe “o” Grand Palace. Trata-se de um enorme complexo, às margens do rio Chao Phraya. No primeiro momento, estranhei. Muitos monumentos próximos uns dos outros, com decoração minuciosa, cheia de vermelhos, azulões e dourados.

— Será que isso é bonito? Para os meus olhos, era opulento, riquíssimo, detalhado, mas tudo junto?

Aos poucos, o primeiro impacto foi passando, a beleza dos detalhes foi ganhando espaço e a estética ocidental foi sendo esquecida. Comecei a isolar visualmente diferentes partes, e o belo surgiu. Enxerguei um pavilhão, situado no alto de uma escada, cujo telhado pontudo era sustentado por esbeltas colunas brancas enfeitadas com detalhes dourados. Em primeiro plano havia uma palmeira que acrescentava um contraste entre o brilho dourado e o verde. Pequenos pavilhões, pensados para oferecer abrigo do sol, escoltavam o edifício principal. Tratava-se do lugar onde são ordenados os monges: o santuário principal do Wat Phra Kaew, o Templo do Buda de Esmeralda.

10h30: Buda de Esmeralda e 32°C.

O pequeno Buda (66 cm de altura!) é feito de jade verde. Sim, jade. Ele é tão importante que o próprio rei troca suas roupas três vezes por ano, e apenas o monarca, considerado o protetor do budismo Theravada, pode tocá-lo. Algumas pessoas faziam reverências e orações, mas o grande número de turistas acabava com o clima. Além disso, o local onde a imagem está colocada é tão ricamente ornamentado que o símbolo quase desaparecia. Fiquei com a mesma sensação que experimentei ao ver a pequena Mona Lisa.

11h: descanso à sombra e 33°C.

No balcão de um prédio, vi uma tailandesa vestida com um chakkri, traje tradicional reservado para ocasiões formais. Seu cabelo estava preso e era ornado por delicados pingentes. O manto, que cobria apenas um dos ombros, era de seda vermelha bordada em dourado. O sol não acrescentava uma gota de suor ao rosto da garota, que mantinha o olhar voltado para dentro de si mesma, alheia ao privilégio de ser a única pessoa a desfrutar daquele espaço. Como conseguia manter-se impecável? Sobre o que se debatia? O que teria a dizer sobre aqueles turistas suarentos e desgrenhados? Fiquei pensando que ela é que seria merecedora de todas as reverências.

E talvez fosse mesmo. Mais tarde descobri que parte do Grand Palace estava sendo utilizada pela família real para cerimônias póstumas em homenagem à rainha-mãe.

12h: visita encerrada e 35°C.

Que calor!

Marla A. Lansarin, julho de 2026.

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