Calma. Calma. Respira. Sem decisões precipitadas. O que eu poderia fazer? Agi no susto, isso sim. Que droga, tomei duas doses! Náuseas, agora. Senta. Grama molhada; azar. Acorda, guria! vai sair daqui algemada. Ok, mais um minuto. Podia chamar o Beto. Não. Péssima ideia:vai surtar. Ninguém para confiar. Vou ter que sair dessa sozinha. Por que isso? Que droga! Justo agora, muda tudo. Força, criatura, levanta! Daqui a pouco passa alguém e aí sim. Não foi minha culpa. A moto apareceu do nada! E daí? Quem vai acreditar? E as despesas? Deixa de ser tão certinha. O rapaz é filho de alguém; tem uma mãe esperando em casa. Nada de chorar! Respira. Respira. Merda, merda, merdaaa! Se eu chegar logo em casa, dá para lavar o carro sem ninguém ver; guardo na garagem por uns meses e isso nunca aconteceu. Pode funcionar. Ah! Tá! No mundo das câmeras de vigilância e dos celulares? Vai acreditar que o Grande Irmão não viu? Um povaréu deve saber a hora que eu saí. E todos me viram com um copo na mão. Ou não? É só a culpa? Deus, de culpa entendo bem: faça o que fizer, acabo de virar um zumbi. Que vergonha! A vida do carinha terminou, e tu com peninha de ti mesma… Saco! Quanto tempo faz? Cinco minutos? Ainda dá para chamar a ambulância: mais que isso vou ter que explicar. Hora de decidir.
Marla A. Lansarin, Julho 2021.
Observação: Esse texto é um conto. Pura ficção.

