Quem acessa o Parque Memorial da Paz pelo lado da ponte passa sob o prédio do museu, suspenso por pilotis. À direita fica sua entrada; à esquerda, o Centro Internacional de Conferências de Hiroshima. Em frente, o cenotáfio em forma de arco.
Fomos diretamente para o monumento. Lá encontramos coroas de flores e, sob o arco, uma câmara de pedra onde são guardados os livros com os nomes das vítimas da bomba atômica. O arco, como uma luneta, aponta diretamente para a Chama da Paz, que, no centro de um espelho d’água, lembra uma vela acesa diante do Genbaku Dome.
Linhas limpas e grandes espaços vazios. A mensagem é clara: reflita sobre isso. Assim, apesar de estarmos ao ar livre e do dia ensolarado, havia silêncio e reverência, como nos cemitérios. Uma a uma, pessoas de diversas nacionalidades se curvavam diante da pedra.
O ambiente melancólico não foi suficiente para nos preparar para o museu: ele mostra o ataque sob a perspectiva da população que, provavelmente, ignorava o andamento e os pormenores da guerra. Nas fotografias, meninas aparecem perfiladas em frente à escola para a foto do anuário, em contraponto à imagem da escola devastada. Pessoas cuja pele se desprendia do rosto, como se fosse uma máscara. Olhares incrédulos, de gente arrancada de seu cotidiano para ser brutalmente punida por um crime que não cometeu. Filmes mostram os esforços dos médicos. Comovem as tentativas desesperadas de ajudar os pacientes: não sabiam o que havia acontecido, ignoravam os efeitos da radiação e enfrentavam a falta de remédios para a dor, a única ajuda possível.
O papel do Japão na guerra não torna menos terrível o sofrimento humano que foi causado. Cerca de 140 mil mortos até o fim de 1945. Trabalhadores, crianças, famílias inteiras. Saber o número de atingidos em um livro de história é muito diferente de ver retratada uma morte hedionda. Nossos líderes, antes de falar levianamente em guerra, deveriam permanecer por duas horas, sozinhos, no interior desse museu.
Dos escombros nasceu uma Hiroshima bonita, moderna e organizada, que, sem esquecer seu passado, escolheu homenagear a paz.
Marla A. Lansarin, julho de 2026.







