Hiroshima — O Parque Memorial da Paz

Quem acessa o Parque Memorial da Paz pelo lado da ponte passa sob um prédio suspenso por pilotis tendo, à sua direita, a entrada do museu e à esquerda o Centro Internacional de Conferências de Hiroshima. Em frente, o cenotáfio em forma de arco.

Fomos diretamente para o monumento. Lá encontramos coroas de flores e uma câmara de pedra retangular, onde estão os livros com os nomes das vítimas do bombardeio atômico. O arco, como uma luneta, aponta diretamente para a Chama da Paz, que arde no centro de um espelho d’água e, visualmente, funciona como uma vela acesa, ardendo em frente ao Genbaku Dome.

Linhas limpas e grandes espaços vazios. A mensagem é clara: reflita sobre isso. Assim, apesar de estarmos ao ar livre e o dia ensolarado, havia silêncio e reverência, como nos cemitérios. Uma a uma, voluntariamente, pessoas de diversas nacionalidades se curvavam diante da pedra.

O ambiente melancólico não foi suficiente para nos preparar para o museu: ele mostra o ataque sob a perspectiva da população que, em boa medida, ignorava o andamento e os pormenores da guerra. Através das fotografias, vê-se meninas perfiladas em frente à escola para a foto do anuário, em contraponto com a imagem da escola devastada. Pessoas cuja pele se desprendia do rosto, como se fosse uma máscara. Olhares incrédulos, de gente arrancada de seu cotidiano para ser brutalmente punida por um crime que não cometeu. Filmes mostram os esforços dos médicos. Chegam a ser patéticas as tentativas desesperadas de ajudar os pacientes: não sabiam o que havia acontecido, ignoravam os efeitos da radiação e enfrentavam a falta de remédios para a dor, a única ajuda possível. 

Não importa qual foi o papel do Japão na guerra: nada justifica o sofrimento humano que foi causado. Mais de cento e quarenta e seis mil civis, camponeses, trabalhadores e crianças. Saber o número de atingidos em um livro de história é muito diferente de ver retratada uma morte hedionda. Nossos líderes, que levianamente falam em guerra, deveriam ser forçados a permanecer por duas horas, sozinhos, no interior desse museu.

Dos escombros radiativos nasceu uma Hiroshima bonita, moderna e organizada, que, sem esquecer seu passado, escolheu homenagear a paz.

Marla A. Lansarin, Julho de 2026.

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