Iniciou com uma dor na garganta, seguida por todos aqueles sintomas de gripe e, no terceiro dia, falta de ar. Não estou sentindo nada além do usual, mas e o tal do respeito? Na dúvida, quatorze dias trancada? Junto com o maridão? E o trabalho? Bah! Vou ter que fazer o teste… Google nele.
Pelo plano de saúde, sem custos adicionais, era necessária uma requisição emitida por um médico conveniado. Já estava testando por dever cívico e teria que esperar quatro ou cinco dias pela consulta e mais cinco pelo resultado do exame, tempo durante o qual teria que ficar em isolamento. Melhor não fazer o teste e ficar em isolamento; o tempo é quase o mesmo, e sem estresse.
Tá, vou pagar… O quê? De R$ 390 a R$ 450, a depender do teste? Mas eu já pago uma fortuna pelo plano de saúde! Esquece. Vamos ver os postos de saúde. Quando escrevo “vamos”, não se trata de plural majestático; meu companheiro aguentou estoicamente.
Encontrei uma notícia de jornal informando que seis postos de saúde começaram a fazer o teste considerado padrão-ouro, o RT-PCR. Um desses postos, o Humaitá, contava com uma tenda externa e funcionava em regime de drive-thru. Beleza… Vamos lá.
A tenda estava fechada… Bem, vai ver que estão coletando o material lá dentro. Bom atendimento, limpo e organizado. O enfermeiro informou que a tenda foi assaltada três vezes e nem chegou a funcionar. Para fazer o teste, era necessário passar pelo acolhimento (consulta médica), pegar uma requisição e realizar o exame em um laboratório conveniado. Já estava lá e só havia uma pessoa para ser atendida antes de mim. Resolvi ficar e, uma hora depois, fui embora com a requisição na mão.
Na requisição havia uma lista de laboratórios; entre eles, o Senhor dos Passos, que pareceu mais conveniente. Informava dois telefones: um celular, que caía permanentemente na caixa postal, e um fixo. O fixo solicitou que eu aguardasse, pois estava na posição 27 da fila. “Agradecemos a sua compreensão.” Pô, mais fácil ir lá diretamente.
Descobri que havia duas possibilidades na região: na Assis Brasil e na Nilo Peçanha. Passamos em frente ao endereço da Assis Brasil, e a fila, do lado de fora, tinha uns quarenta metros. Fomos para a Nilo. Encontramos três atendentes, absolutamente ninguém esperando e o que parecia um milagre logo foi explicado:
— A senhora tem que agendar pelo telefone. Não atendemos diretamente.
— Mas o telefone é impossível, e não tem ninguém para ser atendido aqui…
— Use o celular, que é para WhatsApp.
— Mas…
— Não, não e não.
Estava indo embora, furiosa, quando ouvi um grito:
— Senhoraaa!
Um casal, de dentro de um carro estacionado em frente ao laboratório, percebeu a minha situação e resolveu ajudar. Havia trilhado o mesmo caminho, mas voltou ao telefone, esperou mais de meia hora e falou com uma gerente, que decidiu que o laboratório deveria atendê-lo. Peguei carona. Muito obrigada, boas almas!
Totalmente contrariada, a recepcionista que havia me mandado embora foi obrigada a fazer o cadastro e encaminhar-me para a coleta. Custo zero. Enquanto esperava, resolvi acessar o número do WhatsApp do laboratório, tentando compreender o que havia acontecido. Nesse número havia um atendimento eletrônico que encerrava o diálogo caso não fosse realizado um pagamento de R$ 290. No dia seguinte, vinte e uma horas depois, recebi a mensagem de um ser humano oferecendo ajuda. Não respondi.
O resultado saiu na segunda-feira. Vitória!
Marla A. Lansarin, julho de 2020.
Nota: O Hospital Mãe de Deus montou uma estrutura em frente ao hospital que atendia mais de uma dezena de convênios. Não fosse a ilusão do drive-thru, teria ido lá conferir.
Ah! Não há necessidade de fugir de mim. O resultado foi negativo.
