Fui me tornando professora remota. Aprendi a usar um software, depois outro e mais outro; nunca termina. Adaptei minhas aulas para pequenos vídeos explicativos, que os alunos devem acessar de suas casas, quando lhes aprouver. São as chamadas aulas assíncronas, acompanhadas das síncronas, que têm horário específico, quando todos devem “se encontrar” em um ambiente virtual.
Nas aulas síncronas, os estudantes não podem entrar com as câmeras ligadas, pois a internet não dá conta da transmissão. Além disso, essas aulas devem ser gravadas. Seja por causa da gravação, seja pela falta de hábito, os alunos sentem muita dificuldade para participar. Fazê-los falar ainda é bem difícil (vai melhorar!). Perguntas provocativas, “convocação” pelo nome… Alooô?
E foi assim que me descobri falando sozinha. Passo o dia inteiro falando para um gravador, trancada no meu gabinete. Será que está bom? Será que está claro? E a parede responde: pode melhorar, sempre pode melhorar…
Resolvi ser professora porque adoro ver “a luz do clique” nos olhos dos alunos. Aquele momento mágico em que as ideias se encaixam e uma nova dimensão se apresenta. Escutar uma pergunta raiz, daquelas sobre as quais se deve pensar muito bem antes de responder, é a glória! E agora, aqui, falando com essa parede burra…
Assim, vou fazendo o máximo que posso, sabendo que o corte dos vídeos é grosseiro, a edição é amadora e sabe-se lá o que mais. O conteúdo, pelo menos, eu garanto: é de primeira.
Alooô, tem alguém aí? Vocês me ouvem?
Marla A. Lansarin, Julho de 2020
