Ser bem informado nem sempre é saudável. Reconheço que, sem a comunicação instantânea, a minha vida seria muito mais difícil, e grande parte das coisas que faço não poderia ser realizada. No entanto, existe outra face na moeda. Exemplos?
Não é possível saber das novas variantes da SARS-CoV-2 sem sentir medo de um novo pico, de adoecer, de morrer ou de perder alguém. O temor está em nós: abafado, disfarçado ou ignorado, mas está lá.
Há também as atrocidades que estão acontecendo no Afeganistão: meninas são estupradas pelos autodenominados “homens de Deus”, e mulheres usando burca são puxadas por uma corrente, rua afora, como não se faz nem com animais. Sem falar nas amputações. É possível saber tudo isso e permanecer indiferente? Não. A revolta surge instantaneamente quando se veem as imagens ou se escutam os analistas internacionais.
E a política nacional, então? O que se sente ao ver políticos de todos os matizes trabalhando juntos para estabelecer uma verba para o Fundo Eleitoral cerca de cinco vezes maior do que a destinada ao CNPq em 2021? Muita indignação.
O medo, a revolta, a fúria e seus similares são sentimentos que geram uma forte energia, a qual deveria ser usada para resolver a situação.
Mas somos impotentes.
Ao homem ocidental moderno foram concedidos os meios e o direito de saber, mas quase nenhum poder para interferir. O resultado é uma multidão adoecendo, mental e fisicamente, pois as pessoas agridem o próprio corpo diante da impossibilidade de atacar o inimigo.
Não consigo mais ver o lado avesso do Homo que deveria ser sapiens. Mereço férias do noticiário. Estou cansada de saber; exausta.
Marla A. Lansarin, Agosto de 2021.
